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janeiro 2023 Conteúdo Técnico

Manejo integrado de pragas: a soma de hábitos que reduz custos e aumenta a produtividade.

As pragas agrícolas (insetos e ácaros) são responsáveis por grandes perdas de produtividade anualmente. De acordo com a FAO, os números podem chegar até 40%. Para garantir maior produtividade e reduzir perdas, o melhor caminho é optar pelo conhecimento a respeito da cultura que se está trabalhando, bem como do ambiente.

A maioria dos tratamentos agrícolas para controle de pragas na lavoura são baseados em produtos químicos, porém existem poucas moléculas no mercado. Para garantir sua eficiência ao longo do tempo, é importante o uso prudente dos agroquímicos e também de outras estratégias, como o manejo integrado de pragas.

Tal estratégia contempla diversos aspectos. Veja a seguir os principais: 

1. Controle pré plantio 

O manejo integrado de pragas inicia com a dessecação de pré plantio, que acontece aproximadamente 30 dias antes da implantação da cultura. Junto com essa dessecação que elimina plantas hospedeiras de pragas é recomendado realizar a aplicação de um controle biológico à base de Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana. Eles se mantêm no ambiente e controlam a população de insetos em diapausa, promovendo um achatamento da curva de aumento populacional ao longo do ciclo. Associado a esses manejos, é recomendado um tratamento de sementes para que a plântula esteja protegida de ataque de pragas de solo e de organismos patogênicos.

2. Rotação de culturas 

Quando uma mesma espécie é plantada muitas vezes os organismos atraídos tendem a ser os mesmos, causando um aumento populacional de determinados insetos, os quais podem se tornar pragas. A rotação de cultivo atrai espécies diferentes e ainda cria a possibilidade de pouco alimento para possíveis insetos em diapausa. Tudo isso promove um equilíbrio ambiental, por meio da diversificação vegetal presente no campo.

3. Monitoramento 

Apesar da existência de pragas na lavoura, o controle químico só se faz necessário quando alcança um nível que possa gerar dano econômico.

Ao monitorar a presença de pragas, o uso de tecnologias alternativas, como controle biológico, se torna possível devido ao tempo de resposta dos produtos de origem biológica ser um pouco mais lento. Assim, pode-se efetuar o controle antes que as pragas se tornem um problema. Ao optar pelo manejo químico, o produtor pode economizar em uma aplicação ao final do ciclo ou evitar perdas elevadas caso alguma praga se desenvolva além do esperado. O químico possui a vantagem do controle imediato, mas é importante estar atento: ele necessita de contato com o alvo, então atente-se a tecnologia de aplicação.

4. Tecnologia de aplicação 

A tecnologia de aplicação tem como foco principal auxiliar o produto que está sendo aplicado para atingir o alvo. Isso é possível com uma mistura de calda homogênea; tipo de bico a ser utilizado; tamanho e peso de gota da aplicação. Além disso, existem alguns produtos capazes de incomodar os insetos e aracnídeos presentes nas lavouras. Alguns organismos possuem o hábito de se alimentar na parte abaxial da folha, ou até mesmo se esconder na palhada. Nesses casos, os desalojantes são uma boa aposta para otimizar as aplicações, fazendo os animais saírem dos seus esconderijos e alcançarem a aplicação. Assim, se contaminam com os insumos.

5. Rotação de princípios ativos 

Os produtos químicos possuem uma série de vantagens, como facilidade de aplicação e rapidez no controle e autocontrole das pragas. Porém, para manter a eficiência ao longo do tempo, é necessário usá-los de forma consciente. A rotação de princípios ativos é essencial para que as moléculas se mantenham eficientes. Além disso, utilizar o mesmo princípio ativo sem rotacionar pode gerar resistência nas pragas e promover grandes perdas e prejuízos ao produtor.

6. Controle Biológico 

O uso de controle biológico está ganhando cada vez mais espaço. Ele promove equilíbrio ambiental através da regulação populacional de pragas e pode ser feito com inserção de inimigos naturais como vespas, joaninhas e crisopídeos. Também possui efeito em microrganismos, como fungos e bactérias capazes de infestar as pragas ou impedir a ingestão de alimentos. 

Esse método de controle demora um pouco para equilibrar a população. Em casos de infestação alta de alguma praga, é aconselhável primeiro uma aplicação de químico, seguida da associação de organismos biológicos para evitar o crescimento populacional das doenças. A vantagem desses métodos é que ao longo do tempo o próprio ambiente se equilibra e reduz a necessidade de controle químico, resultando em menores custos para produção.
 
7. Nutrição 

Uma planta bem nutrida é menos suscetível ao ataque de pragas. Entretanto, alguns fertilizantes intensificam ainda mais essa proteção, como os produtos à base de silício. Eles enrijecem a parede celular das plantas e dificultam a alimentação dos insetos. Além do mais, os fertilizantes aplicados sequencialmente impedem o estabelecimento das populações subsequentes das pragas e garantem a sanidade da lavoura. 

8. Uso de tecnologias alternativas 

Também existem outras tecnologias que podem auxiliar na defesa das plantas como iscas com feromônios, as quais causam confusão sexual nos insetos e dificultam a copulação. Com isso, a reprodução é prejudicada e a população é reduzida.

O objetivo de um manejo integrado de pragas é reduzir os custos de produção e qualquer tipo de prejuízo econômico. Também entram na equação a necessidade de manter um ambiente equilibrado e preservar as moléculas de agroquímicos, para que sua eficiência perdure por mais tempo, e seja utilizada de forma mais racional. 

O mais importante para controlar as pragas de uma lavoura é o acompanhamento e a soma de pequenas atitudes diárias, as quais garantem uma lavoura com sanidade adequada.


Verônica Valvassori de Medeiros - Engenheira Agrônoma

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